Dia Nacional de
Incentivo a Doação de Órgãos
Cleofana fez
transplante de córneas
Nesta sexta-feira (27), a equipe da Comissão
Intra-Hospitalar de Transplantes do Hospital Hélio Anjos Ortiz
(HHAO) estará trabalhando na unidade hospitalar com conscientização
sobre a importância da doação de órgãos, em comemoração ao Dia
Nacional de Incentivo a Doação de Órgãos. O médico Hélio Ortiz
Junir é responsável pela equipe de captação que conta com mais
três médicos, psicóloga, assistente social, três membros da
diretoria, oito enfermeiros e 24 técnicos em enfermagem voluntários.
Em Curitibanos, o HHAO está apto a captar órgãos
desde 2005 e, neste período, captou 96 córneas, oito somente em
2013, além de oito captações de múltiplos órgãos. De acordo com
a enfermeira responsável pela equipe de captação Simone Pires
Camargo, a falta de informação e de conversa entre a família são
barreiras enfrentadas quando se fala em doação de órgãos. “Cerca
de 70% das negativas de captação é por recusa familiar, grande
parte delas por não saber a opinião do falecido sobre a doação ou
porque alguém próximo ao falecido não consente a doação”,
lamenta Simone.
A enfermeira destaca que as pessoas que são a
favor da doação de órgãos devem conversar com a família sobre o
assunto e deixar claro essa intenção. “Quando é constatada a
morte do paciente, buscamos conhecer seus valores e a opinião dele
quanto à doação junto a sua família. Quando não houve conversa
sobre o assunto, é comum a família recusar”, afirma.
O protocolo para captação só é aberto após
vários exames que comprovem a paralisação da atividade cerebral.
Para que não haja erros, são realizados testes e, se após todos os
testes, o cérebro continuar inativo, é diagnosticada a morte
cerebral e, então, a família é abordada para autorizar a doação.
“Frisamos para a família que nem mesmo nós conhecemos os
receptores, mas que muitas pessoas aguardam por muitos anos na fila
de espera e que a atitude deles pode salvar vidas”, ressalta.
Diferente da captação de múltiplos órgãos, a
captação de córneas segue um procedimento mais simples. Para a
doação, é possível que os órgãos já não estejam em
funcionamento, como acontece em casos de parada cardíaca. Para esse
tipo de captação, o hospital de Curitibanos não precisa de apoio
externo. As demais captações são realizadas com apoio da SC
Transplantes.
Nos transplantes de córnea, primeiro é realizada
a captação; só então, após contato com a SC Transplantes, é
decidido quem vai receber a doação, a partir de uma fila de espera.
No caso de múltiplos órgãos, a captação é realizada após a
definição do receptor, com base tanto na fila de espera quanto em
testes de compatibilidade.
Como doar
Para ser doador, não é necessário deixar nenhum
documento escrito. Basta comunicar à família do desejo da doação,
para que autorize a retirada dos órgãos.
Ainda em vida, pode-se doar um dos rins, parte do
fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Pacientes com
morte encefálica podem doar coração, pulmão, fígado, pâncreas,
intestino, rim, córnea, veia, ossos e tendão. Córneas também
podem ser doadas por pacientes com outras causas de morte.
O potencial doador deve ter entre dois e 70 anos,
apresentar córneas normais e não ser portador de doenças
infecciosas, como sífilis, Aids, hepatite e doença de Chagas.
Pacientes aguardando transplante (até julho)
Coração
3
Córnea
534
Fígado
78
Osso
63
Medula Óssea
68
Rim/Pâncreas
11
Rim
456
Pâncreas
2
Total
1215
Fonte: SC Transplantes
Vendo o mundo com outros olhos
Esperança e angústia. Essa é a combinação de
sentimentos que permeia a vida de uma pessoa que precisa de
transplante de órgãos. Para ajudar a amenizar a dor e agilizar a
cura, campanhas são realizadas periodicamente, apelos são levados
ao ar por emissoras de TV, profissionais da saúde mobilizam-se, mas,
a falta de informação e o preconceito continuam sendo grandes
barreiras para a concretização do sonho de quem aguarda a chance de
ter uma vida melhor.
Foi assim com a psicopedagoga Cleofana Deide Lima,
que precisou não de um, mas de três transplantes. Aos 23 anos, ela
descobriu que tinha uma doença degenerativa nas córneas e que
poderia perder a visão. A partir daí, a espera foi longa. Cleofana
ficou dois anos e oito meses na fila para o transplante da córnea
mais prejudicada e mais um ano e meio aguardando um doador para o
transplante da outra córnea. Mais tarde, devido a complicações,
precisou de um terceiro transplante.
O gesto, muitas vezes difícil para a família que
decide pela doação, é reconhecido com gratidão pela
psicopedagoga. “Eu ganhei uma nova vida. O transplante me permitiu
trabalhar, me proporcionou uma qualidade de vida muito melhor”,
concluiu.
