sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Dia Nacional de Incentivo a Doação de Órgãos

Dia Nacional de Incentivo a Doação de Órgãos

Cleofana fez transplante de córneas
Nesta sexta-feira (27), a equipe da Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes do Hospital Hélio Anjos Ortiz (HHAO) estará trabalhando na unidade hospitalar com conscientização sobre a importância da doação de órgãos, em comemoração ao Dia Nacional de Incentivo a Doação de Órgãos. O médico Hélio Ortiz Junir é responsável pela equipe de captação que conta com mais três médicos, psicóloga, assistente social, três membros da diretoria, oito enfermeiros e 24 técnicos em enfermagem voluntários.
Em Curitibanos, o HHAO está apto a captar órgãos desde 2005 e, neste período, captou 96 córneas, oito somente em 2013, além de oito captações de múltiplos órgãos. De acordo com a enfermeira responsável pela equipe de captação Simone Pires Camargo, a falta de informação e de conversa entre a família são barreiras enfrentadas quando se fala em doação de órgãos. “Cerca de 70% das negativas de captação é por recusa familiar, grande parte delas por não saber a opinião do falecido sobre a doação ou porque alguém próximo ao falecido não consente a doação”, lamenta Simone.
A enfermeira destaca que as pessoas que são a favor da doação de órgãos devem conversar com a família sobre o assunto e deixar claro essa intenção. “Quando é constatada a morte do paciente, buscamos conhecer seus valores e a opinião dele quanto à doação junto a sua família. Quando não houve conversa sobre o assunto, é comum a família recusar”, afirma.
O protocolo para captação só é aberto após vários exames que comprovem a paralisação da atividade cerebral. Para que não haja erros, são realizados testes e, se após todos os testes, o cérebro continuar inativo, é diagnosticada a morte cerebral e, então, a família é abordada para autorizar a doação. “Frisamos para a família que nem mesmo nós conhecemos os receptores, mas que muitas pessoas aguardam por muitos anos na fila de espera e que a atitude deles pode salvar vidas”, ressalta.
Diferente da captação de múltiplos órgãos, a captação de córneas segue um procedimento mais simples. Para a doação, é possível que os órgãos já não estejam em funcionamento, como acontece em casos de parada cardíaca. Para esse tipo de captação, o hospital de Curitibanos não precisa de apoio externo. As demais captações são realizadas com apoio da SC Transplantes.
Nos transplantes de córnea, primeiro é realizada a captação; só então, após contato com a SC Transplantes, é decidido quem vai receber a doação, a partir de uma fila de espera. No caso de múltiplos órgãos, a captação é realizada após a definição do receptor, com base tanto na fila de espera quanto em testes de compatibilidade.

Como doar
Para ser doador, não é necessário deixar nenhum documento escrito. Basta comunicar à família do desejo da doação, para que autorize a retirada dos órgãos.
Ainda em vida, pode-se doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Pacientes com morte encefálica podem doar coração, pulmão, fígado, pâncreas, intestino, rim, córnea, veia, ossos e tendão. Córneas também podem ser doadas por pacientes com outras causas de morte.
O potencial doador deve ter entre dois e 70 anos, apresentar córneas normais e não ser portador de doenças infecciosas, como sífilis, Aids, hepatite e doença de Chagas.

Pacientes aguardando transplante (até julho)

Coração                  3
Córnea                    534
Fígado                     78
Osso                       63
Medula Óssea        68
Rim/Pâncreas          11
Rim                         456
Pâncreas                 2
Total                       1215

Fonte: SC Transplantes

Vendo o mundo com outros olhos 
Esperança e angústia. Essa é a combinação de sentimentos que permeia a vida de uma pessoa que precisa de transplante de órgãos. Para ajudar a amenizar a dor e agilizar a cura, campanhas são realizadas periodicamente, apelos são levados ao ar por emissoras de TV, profissionais da saúde mobilizam-se, mas, a falta de informação e o preconceito continuam sendo grandes barreiras para a concretização do sonho de quem aguarda a chance de ter uma vida melhor.
Foi assim com a psicopedagoga Cleofana Deide Lima, que precisou não de um, mas de três transplantes. Aos 23 anos, ela descobriu que tinha uma doença degenerativa nas córneas e que poderia perder a visão. A partir daí, a espera foi longa. Cleofana ficou dois anos e oito meses na fila para o transplante da córnea mais prejudicada e mais um ano e meio aguardando um doador para o transplante da outra córnea. Mais tarde, devido a complicações, precisou de um terceiro transplante.
O gesto, muitas vezes difícil para a família que decide pela doação, é reconhecido com gratidão pela psicopedagoga. “Eu ganhei uma nova vida. O transplante me permitiu trabalhar, me proporcionou uma qualidade de vida muito melhor”, concluiu.

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